A ressaca do retorno


Semana passada após uma rápida conversa com uma amiga que falava da dificuldade em se readaptar a sua velha, ou melhor, nova rotina, após um período fora do Brasil, surgiu a idéia de desenvolver o tema que denominei: A ressaca do retorno.

O conceito poderia ser explicitado como sendo o estado pelo qual a pessoa após uma temporada enriquecedora e cheia de descobertas internas e externas fora de seu estado ou país de origem, se vê tendo que retornar ao status quo que deixou quando da decisão de ir embora.

A chegada é muito feliz e animada, devido à saudade da família, amigo e da comidinha da mamãe. São feitos inúmeros encontros, festas, selfies …tudo regado àquela cervejinha, sorrisos, abraços, e dependendo do lugar do Brasil, acarajé, pão de queijo ou outra comida típica local, afinal, foi muito tempo longe dessas maravilhas.

Com o passar do tempo às festinhas ficam mais escassas, tendo em vista que já foram mostradas fotos nos mais diversos pontos turísticos, já contou e recontou todas as estórias consideradas como engraçadas, mas que passam a ser entediantes para quem ouve. Essas estórias ou lembranças, no entanto, são seu único elo entre você e aquele lugar que você viveu por um tempo. Sim, claro, existem os amigos feitos lá. Não há como esquecer os amigos, mas eles passam a demorar em responder as suas mensagens, quando respondem por falta de tempo ou simplesmente terem esquecido. Afinal, cada um tem sua rotina. Todos tem uma rotina…

Apesar da imagem de pessoa descolada e viajada, a ressaca de alguma maneira vai bater pelo simples fato de que ter voltado sem um objetivo específico definido e que te faz relembrar o que te fez querer ir. A sensação pode ser comparada àquela pessoa que foi morar sozinha, e por qualquer motivo teve que retornar a casa dos pais. Existe amor, mas o legal é a independência. Ok, a comparação pode ter sido exagerada, mas no momento da ressaca é mais ou menos assim que funciona.

Se você deixou coisas pendentes, casos mal resolvidos ou simplesmente estava perdido, e retornou sem um plano definido, pode ser tomado pela ressaca do retorno. Bom… Uma ressaca desse tipo pode ser curada com uma nova viagem ou com uma reflexão e consequente identificação do que de positivo foi adquirido nesse tempo que você passou.

O retorno nunca pode ser visto sob a ótica negativa, pois a experiência passada já é privilegiada. Pouquíssimas pessoas tem essa oportunidade. Os lugares visitados, as pessoas com quem se relacionou e as situações que vivenciou são seus e de mais ninguém.

O enriquecer interno deve ser valorizado, pois é a maior riqueza que se pode levar.  A ressaca do retorno deve ser encarada apenas como uma readaptação a uma vida que, com certeza, não vai ser a mesma, porque você não é a mesma pessoa. É muito melhor!

Escrito por Tata Cunha 


2 Comentários

  1. Nane Abreu said:

    Sempre estamos desesperados em busca de alguma coisa para preencher um vazio imaginário, ou que achamos que temos. Uma viagem poderia mudar minha vida, e sim muda, você aprende coisas novas e convive com pessoas e culturas diferentes. Quando essa experiência acaba e somo puxados para nossa realidade, no caso o regresso para casa, não enxergamos de fato como um todo, temos uma limitação vemos apenas o que queremos. Esquecemos de tudo novo vivido e que mudamos também.
    O retorno já se torna negativo, porque aquele vazio voltará e sem ter mais planos e metas para alcançar estamos fadados a estagnar e nos acharmos fracassados.
    Confesso que cansa essa roda que não para de girar e temos sempre que recomeçar e procurar por novos objetivo e metas.
    Mas temos que achar o positivo, ver o que foi vivido, sempre depois de uma experiência existe uma mudança, você pode até achar insignificativa, mas o importante é que você não é mais o mesmo

    6 de maio de 2015
    Responder
  2. Tata Cunha said:

    Com certeza, Nane Abreu, a vida ficou mais enriquecida de novas experiências. Infelizmente ou Felizmente temos a opção de nos entristecermos e deixarmo-nos cair na depressão pelo sentimento de fracasso ou optar por tirar forças para traças novas as metas e objetivos. É a vida.

    7 de maio de 2015
    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *